Sempre tive vários interesses, sempre fui uma pessoa que queria experimentar tudo. Desde os meus seis anos que comecei a pedir aos meus pais para ir ver a neve, porque sabia que ia gostar, sabia que a neve devia ser uma coisa bonita e pura e queria senti-la nas minhas mãos. Fui ver a neve aos dezassete anos.

(Reflective Guitar by Imagined Reality on flickr)
Desde pequenina que queria aprender a tocar guitarra, porque é um instrumento que me fascina, tal como os sons que consegue produzir. Sempre me deu um enorme prazer ver pessoas a tocar guitarra, e o meu fascínio por aprender a fazer o mesmo só crescia. Infelizmente nunca consegui ter aulas, porque não havia dinheiro para investir no instrumento. O mesmo aconteceu com o querer aprender bateria, se bem que não acho que os meus pais alguma vez tenham tido interesse em que eu aprendesse a fabricar tal barulheira.

Houve uma altura da minha vida em que queria experimentar com roupa, mexer, misturar, combinar, mas não me deram essa oportunidade devido à minha preferência pela roupa preta. Havia uma certa rigidez da parte da minha mãe sempre que comprava roupa, e raramente me deixava ter o que queria em detrimento daquilo que ela achava "bonito" e "na moda". Isto foi a minha adolescência, embora tenha começado a ter mais liberdade à medida que os anos passavam, até começar a comprar a minha própria roupa.

Outra coisa que me interessava em pequena (e em grande também) era fotografia. Quando era pequena e via máquinas fotográficas, costumava pôr-me em pose de grande sorriso e esperava até a luzinha do flash me dizer olá. Devo ter montes e montes de fotografias a mostrar os dentes e cheia de iogurte porque me apanhavam sempre a comer, e ainda assim abria a cara num grande sorriso.

Quando comecei a crescer a auto-estima foi-se embora e escondi-me das lentes, preferindo tirar fotografias em vez de modelar para elas. Até agora pouca experiência tenho, e menos instrução ainda, mas o amor continua forte. Não passa um dia em que eu não queira ter uma máquina no bolso para tirar uma fotografia a isto ou aquilo enquanto passeio. Mas enquanto o meu irmão mais novo recebeu uma máquina digital super cara nos seus anos, quando chegou a minha altura o meu pai disse que não valia a pena dar-me uma, porque eu "não a iria usar".

(Lomography by Felipe_Borges on flickr)
Isto aborrece-me. A falta de meios para desenvolver as minhas paixões aborrece-me, e que as pessoas mais perto de mim não se apercebam dos meus interesses aborrece-me ainda mais e deixa-me um bocado abatida. De todos os meus interesses não-desenvolvidos, a fotografia é o que está mais ao meu alcance. Talvez deva comprar uma máquina este Verão, talvez deva deixar de dar ouvidos às pessoas que não acham que tenho paixões artísticas. Já está na altura de eu começar a dar os meus primeiros passos sem me agarrar a ninguém.